5 de nov. de 2008

9º Encontro - Currículo

Adequação do currículo do ensino fundamental à nova realidade.

Fazemos parte de um mundo globalizado cada vez mais veloz, não há como pensar em realidade sem referir-se às tecnologias que invadiram nossas vidas e vieram pra ficar.Tendo em vista esse contexto, nosso currículo precisa ser interdisciplinar, pois a formação de nossos alunos deve torná-los independentes. Eles devem ser pesquisadores, pois atualmente mais importante que saber os conteúdos é saber onde encontrá-los e onde buscar essa informação.

8º Encontro - Livro de literatura

Prazer. Essa é a palavra chave que deve permear todo o trabalho literário em sala de aula. O livro de literatura deve ser apresentado ao aluno não como uma obrigação, mas sim como uma oportunidade de diversão. E por ser arte ele não se esgota em fórmulas e receitas de interpretações. Por esse motivo, a leitura da obra literária é um prazer intransferível. Sentir a arte da palavra é uma experiência que se eterniza na lembrança e no desejo do reencontro. Uma boa sugestão é trabalhar com rodas de leitura onde o aluno pode escolher um título entre diversas opções dadas pelo professor e depois contar a história lida por ele aos colegas. Também, pode-se deixar que o aluno escolha formas mais ricas e divertidas de contar a história como dramatizações em grupo ou adaptações do livro em quadrinhos.

7º Encontro - O Texto

O encontro com a professora Sonia Soares foi fantástico. Tema - Leitura: dialogismo e horizontes de experiências. Ela nos deu uma aula muito esclarecedora sobre o que é um texto, a importância do conhecimento prévio para a sua compreensão e toda a dimensão da leitura por intermédio do diálogo com outros textos.

Análise do texto: O SHOW
Autor: Um aluno de 7ª série.

O cartaz
O desejo

O pai
O dinheiro
O ingresso

O dia
A preparação
A ida

O estádio
A multidão
A expectativa

A música
A vibração
A participação

O fim
A volta
O vazio

- "Segundo o teórico russo Mikhail Baktin, a linguagem é, por natureza, dialógica, isto é, sempre estabelece o diálogo entre pelo menos dois seres, dois discursos, duas palavras". Todos os elementos atribuídos ao texto estão presentes no " O SHOW", pois o aluno que o redigiu comunicou perfeitamente em ordem cronológica toda a sua expectativa, participação e sentimento em relação ao espetáculo ao qual ele chamou de show.

29 de out. de 2008

Quem é Você?
(Cora Coralina)

Sou mulher como outra qualquer.
Venho do século passado e trago comigo todas as idades.
Nasci numa rebaixa de serra entre serras e morros.
“Longe de todos os lugares”.
Numa cidade de onde levaram o ouro e deixaram as pedras.
Junto a estas decorreram a minha infância e adolescência.
Aos meus anseios respondiam as escarpas agrestes.
E eu fechada dentro da imensa serrania que se azulava na distância longínqua.
Numa ânsia de vida eu abria o vôo nas asas impossíveis do sonho.
Venho do século passado. Pertenço a uma geração ponte, entre a libertação dos escravos e o trabalhador livre.
Entre a monarquia caída e a república que se instalava.
Todo o ranço do passado era presente. A brutalidade, a incompreensão, a ignorância, o carrancismo.
Os castigos corporais.
Nas casas. Nas escolas.
Nos quartéis e nas roças.
A criança não tinha vez, Os adultos eram sádicos aplicavam castigos humilhantes.
Tive uma velha mestra que já havia ensinado uma geração antes da minha. Os métodos de ensino eram antiquados e aprendi as letras em livros superados de que ninguém mais fala.
Nunca os algarismos me entraram no entendimento.
De certo pela pobreza que marcaria para sempre minha vida.
Precisei pouco dos números.
Sendo eu mais doméstica do que intelectual, não escrevo jamais de forma consciente e raciocinada, e sim impelida por um impulso incontrolável. Sendo assim, tenho a consciência de ser autêntica.
Nasci para escrever, mas o meio, o tempo, as criaturas e fatores outros contramarcaram minha vida.
Sou mais doceira e cozinheira do que escritora, sendo a culinária a mais nobre de todas as Artes: objetiva, concreta, jamais abstrata a que está ligada à vida e à saúde humana.
Nunca recebi estímulos familiares para ser literata.
Sempre houve na família, senão uma hostilidade, pelo menos uma reserva determinada a essa minha tendência inata. Talvez, por tudo isso e muito mais, sinta dentro de mim, no fundo dos meus reservatórios secretos, um vago desejo de analfabetismo.
Sobrevivi, me recompondo aos bocados, à dura compreensão dos rígidos preconceitos do passado. Preconceitos de classe.
Preconceitos de cor e de família.
Preconceitos econômicos.
Férreos preconceitos sociais.
A escola da vida me suplementou as deficiências da escola primária que outras o Destino não me deu.
Foi assim que cheguei a este livro sem referências a mencionar.
Nenhum primeiro prêmio.
Nenhum segundo lugar.
Nem Menção Honrosa.
Nenhuma Láurea.
Apenas a autenticidade da minha poesia arrancada aos pedaços do fundo da minha sensibilidade, e este anseio: procuro superar todos os dias.
Minha própria personalidade renovada, despedaçando dentro de mim tudo que é velho e morto.
Luta, a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes.
Quem sentirá a Vida destas páginas... Gerações que hão de vir de gerações que vão nascer.

6 de out. de 2008

6º Encontro - Entrevista com Marcos Bagno

Muito esclarecedora a entrevista publicada na revista Caros Amigos, edição 131 ano XI, com o lingüista Marcos Bagno - autor de "Preconceito Lingüístico", "A Língua de Eulália" e vários outros livros. Nela o entrevistado fala a respeito do tema preconceito lingüístico e nos mostra que a escola ensina uma língua portuguesa que não é a verdadeira língua falada pelos brasileiros e sim uma língua imposta pelas elites e com normas tão ultrapassadas que estão com dois séculos de atraso em relação ao português brasileiro. Para Marcos Bagno o que vale agora é o português brasileiro, a língua que o povo fala, que as famílias falam, que nós falamos, e não aquela que pregam os manuais de redação ou os "consultórios" gramaticais dos jornais. Nessa entrevista o lingüista afirma "... é preciso acabar com a cultura do erro". Ele ainda exemplifica: o português brasileiro é "chegou a hora da onça beber água", não "de a onça beber água".
O professor Marcos Bagno também comenta a linguagem da internet e a influência da língua inglesa na língua portuguesa. Vale a pena ler esta reportagem.

23 de set. de 2008

4º e 5º Encontros: preconceito lingüístico

A linguagem
na ponta da língua
tão fácil de falar
e de entender.

A linguagem
na superfície estrelada de letras,
sabe lá o que quer dizer?


Professor Carlos Góis ele é quem sabe,
e vai desmatando
o amazonas de minha ignorância.
Figuras de gramática, esquipáticas,
atropelam-me, aturdem-me, seqüestram-me.

Já esqueci a língua em que comia,
em que pedia para ir lá fora,
em que levava e dava pontapé,
a língua, breve língua entrecortada
do namoro com a priminha.

O português são dois; o outro mistério.

(Carlos Drummond de Andrade)


O papel da Escola é formar um aluno capaz de usar tanto a variedade padrão da língua, quanto as diversas variedade informais existentes cada qual com suas diferenças regionais e sociais. Porém, a Escola está longe de cumprir esse papel, tendo em vista que nela o ensino da língua padrão é privilegiado. Mas o pior é que entende-se por língua padrão o ensino puro e simples de gramática durante as aulas, onde em frases soltas o professor ou professora ensina o aluno a fazer análises morfológica e sintática.
Não é sem razão que nossos alunos dizem em alto e bom som que odeiam português ou mesmo que não sabem nada de português.
Como professores de Língua Portuguesa temos um longo caminho a percorrer, para chegarmos ao ideal que é adequar o ensino da Língua à realidade lingüística de nossos alunos.